terça-feira, 1 de julho de 2008

Querido Nando...

Falam poucas semanas para se passar sete anos desde que foste embora...
Acredita em mim, não há um dia que passe e eu não pense em ti... O que pensarias tu disto ou daquilo? Será que ias gostar se eu fizesse determinada coisa, ou dirias que era má ideia?
De uma coisa tenho a certeza. Ias ter orgulho daquilo que sou hoje. Apesar de todas as falhas e alguns contratempos... Pelo menos, gosto de pensar assim... Faz-me querer ser melhor... Faz-me acreditar que continuas a olhar por mim...
Nunca te disse, mas contigo sentia-me segura. Agora é como se existisse um precipício que me separa do resto do mundo, e não existe ninguém que me dê a mão e me ajude a ultrapassa-lo...
Eu sei porque nunca te disse. Sempre pensei que teria todo o tempo para to demonstrar, mas esse tempo acabou tão abruptamente, que nem houve tempo para uma despedida...

Desculpa.
Desculpa nunca te ter dito como és importante para mim.
Desculpa não ter estado mais tempo contigo.
Desculpa por ter medo.

Se calhar ficaste sem forças....
Ou talvez simplesmente desististe...
Não acredito!
Tu sempre foste corajoso, mas talvez desta vez isso não fosse suficiente...

Eu sei que é estúpido, mas às vezes dou comigo a chorar, ao fim deste tempo todo, só porque alguém me faz lembrar de ti, ou me lembro-me de como gostava de ficar aninhada o teu lado e sentir-me tão protegida...
Gostava que houvesse um meio para falar contigo. Contar-te tudo.
Contar-te todas as histórias da faculdade, dos amigos, da Tuna... Eu sei que te ias rir se um dia, há sete anos, te dissesse que iria entrar para uma tuna, cantar e tocar diante de tanta gente...
Mas a vida dá destas voltas...
Eu também nunca pensei que um dia ia ter de te escrever assim estas palavras, sabendo que nunca hei-de obter resposta...
Mas para mim é importante...

Bem, por hoje tenho de ir. Já está tarde e tu sabes como sou preguiçosa para acordar...

Um beijo enorme cheio de carinho e saudades da tua sobrinha que te adora ******